Saudade engole a gente, menino!
Filhote,
Hoje você fez a sua primeira viagem sem a mamãe. Não sei como você está se sentido, provavelmente, pelo menos por agora, tudo deve estar sendo festa pra você, mas do lado de cá não tá fácil não. Mamãe está se segurando pra não correr praí e te pegar de volta. Essa casa nunca esteve tão vazia e eu ainda tô tentando descobrir como é que eu vou fazer pra ficar sem você pelos próximos 6 dias.
Eu sei que amanhã eu também vou viajar e que vou aproveitar bastante com os novos e velhos bons amigos que encontrarei em Brasília, mas você precisa saber que eu já estou contando cada minuto pra te ver de novo, porque sem você as coisas não têm lá muita graça não, porque eu não sei mais como é acordar e não ver o seu sorriso, e eu acho que isso vai tornar esses dias um pouco mais difíceis.
Eu já tô sentindo a falta do seu cheirinho, da sua pele quentinha e macia, e de vez em quando me pego chorando de saudade de você. E olha que só tem 4 horas que nos separamos /o\. Liga não, mãe é bicho exagerado mesmo, e sofre com cada minuto de ausência. Acho que você vai entender um pouquinho se um dia for pai.
Eu sei é que eu tô perdida aqui nessa casa, sem você. Não sei o que fazer com tanto tempo e com tanto vazio, e com o silêncio que – olha – dói pacas! E não há música alta que dê conta de disfarçar, de acabar com ele. Não é fácil quando um pedaço da gente tá longe, sabe?
Mamãe agora vai parar de escrever, porque quanto mais ela escreve, mais ela chora, e isso tá ficando patético, e a Cleide já está começando a rir da minha cara! ;)
Aproveite bastante com a vovó, o vovô e o dindo. E pede pro dindo comprar uma bola bem colorida pra você. Come direitinho, não demore muito pra dormir e não jogue as coisas da vovó no chão, tá?
Vê se aproveita também pra brincar com o Enzo. Tenho certeza que você vai gostar.
Um beijo, um queijo e muitas mordidas nesse pé pãozinho.
Te amo, gordinho!
Tô morrendo de saudade.
Mamãe.
Chicletinho lindinho do papai!
Primeiro desenho
Ensinando o Francisco a dormir sozinho
Fazer o Francisco dormir, desde o primeiro dia, nunca foi tarefa das mais fáceis. O bichinho sempre travou uma luta feroz contra o sono e era difícil fazer o moleque relaxar, fechar os olhos. Durante dos quatro primeiros meses de vida, durante o dia, ele só dormia enquanto estivesse no colo, e como sentia sono o dia inteiro, eu passava meus dias sentada na poltrona enquanto ele dormia. Mas durante a noite, depois que eu conseguia, sempre foi uma beleza. Não sei o que é passar uma noite inteira em claro por conta de filho que não dorme seja lá por que motivo for. Às 18h, 18:30h ele já estava apagadão e entre 22h e 0h eu levava a última mamadeira da noite, que ele mamava sem acordar. Quando o dia clareava, lá estava ele, acordando junto com o sol. Sempre foi assim.
Semana passada resolvi que tá na hora dele aprender a dormir sem a ajuda dos universitários da mamãe (ou de quem quer que seja, que fique bem claro, viu mãe? Viu, Ricardo?). Final da tarde dou jantar, banho (sim, nessa ordem, pra ele não dormir todo cagado de comida), fico com ele um tempo, que é quando canto ou conto histórias e a gente conversa um pouco – e ai ele desacelera, e depois coloco no berço, ainda acordado, sempre entra 18h e 19h. Dou boa noite e saio do quarto. Geralmente deixo um ou dois brinquedinhos e a luz um pouco acesa.
No primeiro dia foi berreiro sem fim, mas eu saí do quarto mesmo assim e demorou um pouco, mas ele conseguiu se acalmar sozinho. E ele ficou lá, andando pelo berço (leia-se correndo), até cansar. Depois ficou um tempão sentado até que deitou. Mas ainda ficou acordado um tempão. Toda vez que chorou eu fui ao quarto, peguei no colo, cantei um pouco, pra acalmar, e coloquei no berço de novo, ainda desperto. E pegou no sono eram quase 22h. Foi cansativo pacas, teria sido muito mais fácil se eu tivesse ficado com ele no colo, fazendo dormir, por meia hora. Eu sabia que não seria fácil, então não desisti.
No segundo não rolou! Não havia nada que o fizesse parar de chorar. Aguentei meia hora do lado de fora, mas depois achei que já tava demais. Tentei novamente e o berreiro sem fim continuou. Foram várias tentativas e nada. Peguei no colo e fiquei até que ele dormisse. A ideia é que ele aprenda a dormir sozinho, não que tenha um treco de tanto chorar.
O terceiro e quarto dia foram bem parecidos. Ele ficou no berço sem reclamar quando eu saí do quarto, me solicitou (resmungando) bem menos vezes e foi pegar no sono um pouco mais de 21h. Não chorou nenhuma vez.
No quinto não deu pra fazer nada disso que eu estava com visitas em casa e precisava ser breve. Deixei acordado no berço e, quando ele chorou, peguei no colo e fiz dormir.
O sexto e o sétimo dia foram muito mais sossegados. Ele não chorou quando saí do quarto, não resmungou nem nada enquanto estava lá dentro, mas só pegou no sono mesmo depois das 22h. Dormiu e acordou várias vezes, mas não me chamou em nenhum dos intervalos.
Oitavo dia foi lindo. Botei no berço, saí do quarto e ele apagou!
O nono dia foi surreal. Ele tava quietinho lá, mas não dormia de jeito nenhum. Quando deu 21h ele começou a resmungar e eu decidi ir fazê-lo dormir (estava exausta). Quando cheguei no berço vi que ele havia vomitado todo o jantar. Voltei pra sala e fiquei observando pelo monitor o que ele fazia, enquanto pedia um help às mamães tuiteiras que conheço. De repente eu vi ele enfiando a mão na goela e vomitando outra vez. Aí entrei no quarto, tirei ele do berço, troquei a roupa de cama, enquanto ele espalhava todos os brinquedos pelo chão. Recolhi tudo, dei banho e fiz dormir, pra ele parar de enfiar a mão na boca.
Décimo dia, que é hoje. Ele não quis jantar, então dei uma mamadeira reforçada e às 18h ele foi pro berço. Estava morrendo de sono desde às 16h e eu achei que seria melzinho na chupeta. Já são 19:50h e ele já dormiu e acordou, me chamou duas vezes (e o esquema é o mesmo, vou lá, acalmo e saio do quarto com ele ainda acordado), já dormiu sentado, já dançou, já correu meia maratona dentro daquele berço, mas pegar naquele sono bão mesmo, até agora nada (ooops, tem bebê dormindo agora, tomara que definitivamente).
As coisas estão caminhando, eu sempre soube que não seria fácil, mas acho até que estão indo bem. Acredito que mais uns quatro, cinco dias, e quando eu o colocar no berço, ele já vai virar pro canto e pegar o soninho dele pra dormir. Será? #oremos
Agora, o que não pode é deixar isso desandar. Ai, ai, ai… segunda o pai tá chegando! Tomara que não estrague tudo! /o\ Eu surto!
UPDATE: Lá pelas 20:40h o moleque pegou, finalmente, no sono! Tá melhorando!!! \o/
‘Di menor’ não pooooode!
Ele passa e olha para a mesa! Mamãe já ia pegar a mamadeira…
…quando se dá conta de que o que ele queria era oooutra coisa!
Olha pra cara da tia Letícia, esperando o “Nãaaaao, Francisco!”
Enquanto a ‘mãe de merda’ aqui só fotografava!
Quer cerveja, ô pouca sombra? Daqui a 16 anos e 10 meses a gente conversa sobre o assunto. ‘Di menor’ não poooooode! Até lá, faça amigos bebendo leite! ;)
“Deixa a mamãe fazer cocô em paz, por favor!”
Hoje Francisco completa um ano e dois meses.
Antes do Francisco nascer sempre me disseram das maravilhas da maternidade, e algumas mães – almas piedosas – me colocaram também à par das desventuras que a maternidade traz. A mais temida eu nunca conheci: noites em claro. Nunca passei uma noite inteira acordada por desde que Francisco nasceu. Ela sempre foi péssimo pra dormir durante o dia (até os 4 meses sentia sono o dia todo, mas só dormia enquanto estivesse no colo. Passei os primeiros 4 meses de vida dele sentada na poltrona do quarto, assistindo qualquer porcaria legendada – porque o volume tinha que ser quase zero- que passasse na TV, enquanto ele dormia), mas à noite ele sempre foi bom de berço. Dormiu 12h seguidas a primeira vez aos 3 meses, e desde então eu dou a última mamadeira do dia enquanto ele está dormindo). Dorme, geralmente, das 18:30h às 6:30h e, durante o dia, depois que completou um ano, três horas durante o dia. Ou de uma vez só, ou divididas em duas sonecas, uma pela manhã e outra à tarde.
Mas isso não tem absolutamente nada a ver com o que eu pretendo dizer aqui, tanto para guardar para a posteridade, quanto para alertar às futuras mamães.
Há um ano e dois meses, pessoas, eu não sei o que é fazer cocô em paz, sossegada, no silêncio, fazendo palavras cruzadas ou sudoku. Nunca calha de me dar vontade de ir ao banheiro quando ele tá dormindo. É SEMPRE quando ele está acordado.
Vamos abrir um parêntese aqui pra deixar claro que Francisco não é tão vilão assim nessa história, porque antes de engravidar, eu era um ser entupido, cocô uma vez por semana era a glória pra mim. Depois que engravidei vou todo dia. Francisco além de um filho delicioso, tb foi um ótimo desentupidor de intestino. Fecha o parêntese.
Mas, enfim, voltemos às (poucas, mas existentes) agruras da maternidade. Lá estou eu, tuitando fazendo alguma coisa da casa, enquanto Francisco está brincando ou valsando com o ventilador, quando chega o aviso: tá na hora de liberar o que o organismo rejeitou. Entro no banheiro. Ele começa a chorar. Na mes-ma ho-ra! Aí fico eu tentando apressar a saída do bendito cocô, o que obviamente não dá certo. Geralmente tem o efeito contrário. Quanto mais ele chora, menos eu consigo. Aí eu levanto, pego o Francisco, que pára de chorar no mesmo instante, e levo pro banheiro comigo. Fecho a porta, coloco ele no chão e recomeço os trabalhos. Enquanto eu tô lá, me concentrando, Francisco abre gaveta, pega o que não deve, abre a porta do armário, fecha a gaveta com o dedo dentro, puxa o papel higiênico todo do rolo, tenta entrar no box molhado, e eu, o tempo inteiro só nó “Francisco, aí não pode”, “Francisco, fica quietinho”, “Filho, deixa a mamãe fazer cocô em paz, por favor!”, “Moleque, você vai prender o dedo!”, “Machucou, filho? Mamãe avisou, vem cá!” . Isso quando não resolve que quer ficar sentado no meu colo. E viva os coliformes fecais (ecaaaa – Dr. Bactéria teria um treco se visse a cena)! Quem merece isso, minha gente? Cadê a dignidade da pessoa?
Ser mãe, além de outras coisas, meus caros, também é fazer cocô acompanhada! /o\
Ih, deu xabu!
Chegam Déborah e Bernardo (e Letícia, que eu só sei chamar de Bruxa – e que só tá entre parênteses porque não faz parte deste caso) aqui em casa, e Francisco decidiu que queria muito o colo da tia Déborah, que não resistiu aos seus encantos e deu colo pro moleque. Bernardo, que não gostou nada daquela intimidade toda, não se fez de rogado: na primeira oportunidade foi tirar satisfações!
É, filhote, de vez em quando acontece! rsrsrrsrs
Eita, Bê ciumento!!! :))))
Francisquices
Eu sempre fico esperando a oportunidade de um texto enorme pra escrever aqui, e acabo não registrando as coisinhas pequenininhas, de uma linha só, que acontecem todos os dias. Faço mal, porque as coisinhas pequenininhas de todos os dias é que são as mais especiais. Portanto, fica aberta por tempo ilimitado, a temporada de posts pequenininhos, mas cheios de graça:)
QUE ABRAÇO GOSTOOOOUSO, FIOTE!
Eu estava sentada no sofá, assistindo qualquer coisa no Discovery Kids (oi?), enquanto Francisco andava pela sala, pensando qual coisa proibida ele ia tentar mais uma vez. Ele passou pelo telefone, que estava no chão, e eu pedi:
-Francisco, pega o telefone pra mamãe?
Ele se abaixa, pega o telefone, vem andando na minha direção com um sorrisão lindo, e depois que me entrega, me dá um abraço apertadão seguido de um “ooown”.
#derreti
NÃO FUI EU!
E, durante a valsa diária com o ventilador, Francisco derruba o troço. Quando eu olho, lá vai ele correndo e olhando pra mim com aquela cara de “eu-não-fiz-nada”. Ou seja, meu filho, de um ano e dois meses já faz merda e sai correndo. O_o
DESPERTADOR
Lá estamos, eu e ele, no quarto, brincando. Todos os brinquedos espalhados pelo chão. De repente ele me ignora e fica na dele, brincando com a casinha de encaixar bloquinhos. Ele ficou tanto tempo entretido que acabei pegando no sono. Acordei com uma mordida no pé!
Não, Francisco!
Eis que começa parte mais difícil, delicada e necessária na criação dos filhos: a educação e imposição de limites. Desde que nasceu, Francisco ouve bom dia (e congêneres), obrigado, com licença, por favor e desculpe. As famosas palavrinhas mágicas que nos transformam em pessoas razoavelmente civilizadas (sim, porque não depende só disso, néam?). Eis que agora outra palavra entrou na listinha: NÃO. É um saco, pra ele e pra mim. Quisera eu poder deixar o pequeno explorar todas as coisas sem restrição, mas não dá. Tem coisa que não pode, porque é perigoso, porque pode estragar, porque simplesmente não pode. Liberdade tem limite. E ele, no alto dos seus 13 meses, quer fuçar tudo, mexer em tudo, descobrir todas as coisas ao mesmo tempo. E aí? Aí é que eu fico enlouquecida, tentando distraí-lo do que não pode, porque ninguém merece ouvir e ninguém merece falar NÃO o dia todo!
Há coisas em casa que dá pra mudar de lugar, que dá pra tirar do alcance, outras não. E nem quero mudar o mundo pra adaptá-lo, que nem acho que isso seja o melhor a fazer. Ele é que tem que se acostumar e se adaptar ao meio. Claro que dá pra ceder um pouco aqui, um pouco ali, afinal de contas ele só tem 1 ano e 1 mês e é impossível exigir dele a compreensão de todas as coisas assim, de uma vez. Tem que ser aos poucos. Então eu tirei a mesinha cheia de pápéis da sala, reorganizei as coisas, mas o ventilador é complicado, faz calor digno de verão no outono carioca. Mas é a paixão da vida dele, ele é capaz de passar o dia empurrando o trambolho de um lado pro outro se eu deixar. Tradução, não o deixo mais ligado, mas não tinha que ser assim. Há um mês ele entendia que o ventilador era objeto proibido, mas agora ignora meus avisos na cara de pau. O que fazer?
Antes de começar o perídodo vou-desafiar-mamãe-pra-ver-até-onde-ela-agüenta, a coisa funcionava assim: ele encostava o dedo no troço e ia direto pro cercadinho. Uma, dua, três vezes seguidas bastavam para que ele se afastasse por, pelo menos, uma semana. Mas agora não tá funcionando. Ele põe a mão, eu coloco no cercado. Cinco minutos. Tiro do cercado e ele vai pro ventilador de novo. Ontem isso se repetiu umas dez vezes. Caraca, que troço cansativo. Pra ele e pra mim (sorte do ventilador ser inanimado, senão ele também estaria cansado); não é fácil.
Hoje acordei com uma cólica duzinfernos, irritadíssima por conta da TPM, que na verdade é TDM. Desliguei o tal da tomada e dexei o Francisco fazer e acontecer. E ele derrubou o ventilador, andou com ele pela sala inteira, abraçou, fez carinho (gente, que amor é esse?), até que uma hora conseguiu enfiar o pé embaixo da base e chorou (leia-se: chorou como se tivessem decepado-lhe o pé). Me irritei e levei o ventilador pro meu quarto. Resolvi o problema? Não. Amanhã vai começar tudo de novo, e eu já não sei o que fazer para mantê-lo afastado do bendito fazedor de vento, que me é tão importante, mas que pra ele é absurdamente perigoso. Volto ao esquema inicial: botou a mão vai pro cercadinho? É o mais sensato, é o mais certo, mas eu bem que queria ter outra alternativa (Supernaaaaaaanny, ajuda eu!), porque, putz!, é sofrido o esquema.
Pensei em tirar o ventilador em definitivo da sala (como me sugeriu um amigo). Mas isso não seria um jeito fácil (nem tanto, que o calor tá brabo) de me livrar do problema sem precisar educá-lo, dar-lhe limite? Ele tem que aprender o que pode e o que não pode, não é? Ou daqui a pouco eu vou começar a tirar tudo da sala, do quarto, vou começar a moldar as coisas pra ele, e não o contrário. Tirando o ventilador da sala não estaria eu abrindo mão de lhe ensinar que nem tudo é permitido?
Na hora do almoço…
Fazer esse moleque comer tá uma dificuldade, mas ele sempre arranja um jeitinho de se divertir. Hoje foi com meu fundo de garrafa.
Nerdinho…
Ganhando o mundo!!!
E ele estreou na folia! ;)
Filho de peixe, peixinho é. E Francisco não pode ouvir um samba que começa a dançar! Puxou a mamãe aqui. E hoje o levamos pra Banda do Recreio, pro moleque estrear no mundo carnavalesco do jeito que tem que ser (na rua, no meio do povo – não no shopping, como seria caso a chuva não parasse). Andou pela orla, sambou no chão, no colo do papai, da mamãe e da vovó! Tava cansado, mas não amarelou não. Eu que fiquei com peninha e trouxe pra casa pra dormir, mas ele nem ameaçou reclamar! Fez a festa o meu pequeno folião no seu primeiro dia de carnaval!
A festa
Eis que chegou o dia da festinha de aniversário do moleque. Eu, que fiz toda a decoração, achei que esse dia não ia chegar nunca! Nossa, isso dá muito trabalho, mas valeu à pena, porque ficou lindo demais. Foi tudo muito bom, correu tudo bem. Francisco se comportou que nem um mocinho (e tirou uma sonequinha no meio do furdúncio), se divertiu muito e ficou acordado até quase meia-noite. Agora vamos ao que interessa:
