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Não, Francisco!

Eis que começa  parte mais difícil, delicada e necessária na criação dos filhos: a educação e imposição de limites. Desde que nasceu, Francisco ouve bom dia (e congêneres), obrigado, com licença, por favor e desculpe. As famosas palavrinhas mágicas que nos transformam em pessoas razoavelmente civilizadas (sim, porque não depende só disso, néam?). Eis que agora outra palavra entrou na listinha: NÃO. É um saco, pra ele e pra mim. Quisera eu poder deixar o pequeno explorar todas as coisas sem restrição, mas não dá. Tem coisa que não pode, porque é perigoso, porque pode estragar, porque simplesmente não pode. Liberdade tem limite. E ele, no alto dos seus 13 meses, quer fuçar tudo, mexer em tudo, descobrir todas as coisas ao mesmo tempo. E aí? Aí é que eu fico enlouquecida, tentando distraí-lo do que não pode, porque ninguém merece ouvir e ninguém merece falar NÃO o dia todo!

Há coisas em casa que dá pra mudar de lugar, que dá pra tirar do alcance, outras não. E nem quero mudar o mundo pra adaptá-lo, que nem acho que isso seja o melhor a fazer. Ele é que tem que se acostumar e se adaptar ao meio. Claro que dá pra ceder um pouco aqui, um pouco ali, afinal de contas ele só tem 1 ano e 1 mês e é impossível exigir dele a compreensão de todas as coisas assim, de uma vez. Tem que ser aos poucos. Então eu tirei a mesinha cheia de pápéis da sala, reorganizei as coisas, mas o ventilador é complicado, faz calor digno de verão no outono carioca. Mas é a paixão da vida dele, ele é capaz de passar o dia empurrando o trambolho de um lado pro outro se eu deixar. Tradução, não o deixo mais ligado, mas não tinha que ser assim. Há um mês ele entendia que o ventilador era objeto proibido, mas agora ignora meus avisos na cara de pau. O que fazer?

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Antes de começar o perídodo vou-desafiar-mamãe-pra-ver-até-onde-ela-agüenta, a coisa funcionava assim: ele encostava o dedo no troço e ia direto pro cercadinho. Uma, dua, três vezes seguidas bastavam para que ele se afastasse por, pelo menos, uma semana. Mas agora não tá funcionando. Ele põe a mão, eu coloco no cercado. Cinco minutos. Tiro do cercado e ele vai pro ventilador de novo. Ontem isso se repetiu umas dez vezes. Caraca, que troço cansativo. Pra ele e pra mim (sorte do ventilador ser inanimado, senão ele também estaria cansado); não é fácil.

Hoje acordei com uma cólica duzinfernos, irritadíssima por conta da TPM, que na verdade é TDM. Desliguei o tal da tomada e dexei o Francisco fazer e acontecer. E ele derrubou o ventilador, andou com ele pela sala inteira, abraçou, fez carinho (gente, que amor é esse?), até que uma hora conseguiu enfiar o pé embaixo da base e chorou (leia-se: chorou como se tivessem decepado-lhe o pé). Me irritei e levei o ventilador pro meu quarto. Resolvi o problema? Não. Amanhã vai começar tudo de novo, e eu já não sei o que fazer para mantê-lo afastado do bendito fazedor de vento, que me é tão importante, mas que pra ele é absurdamente perigoso. Volto ao esquema inicial: botou a mão vai pro cercadinho? É o mais sensato, é o mais certo, mas eu bem que queria ter outra alternativa (Supernaaaaaaanny, ajuda eu!), porque, putz!, é sofrido o esquema.

Pensei em tirar o ventilador em definitivo da sala (como me sugeriu um amigo). Mas isso não seria um jeito fácil (nem tanto, que o calor tá brabo) de me livrar do problema sem precisar educá-lo, dar-lhe limite? Ele tem que aprender o que pode e o que não pode, não é? Ou daqui a pouco eu vou começar a tirar tudo da sala, do quarto, vou começar a moldar as coisas pra ele, e não o contrário. Tirando o ventilador da sala não estaria eu abrindo mão de lhe ensinar que nem tudo é permitido?

Nossa... quase onze?

Aí, na véspera do moleque completar 11 meses eu volto aqui. Mas volto com novidades (bem, novidade todo dia tem). A maior novidade de todas é que o Francisco decidiu deixar de ser molenga, levantou o traseiro gosrducho do chão e TÁ ENGATINHANDO! Coisa mais linda da mãe, gente!

Considerei aberta, esta semana, a TEMPORADA DE SUSTOS E TOMBOS. Francisco caiu da cama. Eu estava dormindo, Ricardo colocou ele do meu lado, eu segurei e, como tava dormindo, soltei. Ele caiu. De bunda. Só ouvi aquele ploft, e pulei da cama. Chorou 2 segundos pelo susto, e depois já estava gargalhando. Só susto, mais nosso do que dele.

Depois dos dois dentes debaixo reinarem absolutos por dois meses, eis que surge um em cima, unzinho só. Agora são TRÊS DENTES, que fazem um puta estrago, caso você deixe sua mão de bobeira perto da boca dele.

Há 5 dias TÁ DORMINDO SOZINHO NO QUARTO DELE. Nem sentiu diferença nenhuma, já eu, eu ainda não me acostumei em dormir tão longe do filhote. Tô relax porque o Ricardo tá em casa e tal, quero ver a partir de segunda, como será. Estaremos só os dois em casa, e eu tô achando bem provável que eu me mude lá pro quarto dele. Será?

E a PIRRAÇA? Jisuismariajosé, que é isso? O bichinho tá que tá ficando pirracento. Cada dia pior, e olha que eu não dou mole pra ele. Só sei que, se eu afrouxar, ele vai achar que manda aqui. Nananinanão. Não pode, não rola, ninguém merece criança pirracenta. O negócio é manter o pulso firme, por mais pena que dê, ou por mais que o chororô incomode. 

E daqui a um mês ele vai fazer 1 ano. E nós resolvemos fazer a FESTA DE ANIVERSÁRIO dele aqui em casa mesmo. Poucas pessoas. A partir de amanhã vou providenciar o buffet (é festa pequena, mas pra cozinha eu não vou) e vou fazer eu mesma a decoração. O tema escolhico foi palhaço. O clássico dos clássicos dos aniversários de um ano, né? E a escolha de fazer a festa aqui em casa se deu por alguns motivos, um deles, e o principal, foi pelo próprio Francisco, que não gosta muito de muvuca, que fica irritado quando sente sono e não dorme, e em casa o berço dele tá logo ali, né?

Agora deixa eu ir embora, dormir enquanto ele tá dormindo. Que ele é adepto do ‘se eu não durmo, ninguém dorme!” Alegre
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