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Ogrinho!

Nem tardou e nem falhou. Fui convidada a ir conversar com a professora.

Francisco ontem deu umas bifas no João, e voltou com a mania de sair abraçando geral.

Quanto ao caso do João, bem, levando em consideração que o menino já tinha dado umas porradas nele, eu não fiquei tão preocupada (a menos que isso se torne recorrente – ‘magina que coisa horrorsa ter filho brigão – acho que não carece de atenção especial). Eu conversei bastante com ele e disse que bater era coisa de troglodita, mas ele deve ter achado que essa era a melhor maneira de se defender naquele momento, então eu e também teve uma aulinha com a avó de como dar um chega pra lá no João, pedi à professora que me avise caso isso se repita, pra aí sim eu me dedicar um pouco mais a esse assunto.

O que me preocupa de fato são esses abraços. Ele sempre foi uma criança super amorosa, super carinhosa, e sempre gostou de abraçar as pessoas, principalmente crianças. É raro. No geral os pequenos são tudo umas pragas anti-sociais arredios, envergonhados, evitam contato físico com quem não conhecem, mas o Francisco sempre foi o contrário. Até aí tudo lindo, tudo engraçadinho, maaaaaas…

Free-hugs

O problema é que só ele gosta de abraçar, o resto da turma não. E ele é um bem grandinho pra idade dele, é o maior da turma, então ele fica parecendo aqueles cachorros enormes e desastrados que pulam nas pessoas e derrubam o abraço dele não é uma coisa muito agradável pras outras crianças. Trocando em miúdos, ele é bem ogro nessas demonstrações de afeto.

Mas e aí?  Eu não quero que ele deixe de gostar de abraçar, porque isso faz parte da personalidade dele e eu acho muito bacana, mas como eu vou explicar pra ele que do jeito que ele tá fazendo não tá legal? Como explicar que tem hora que esse abraço não é bem-vindo, mas que tem hora que é? Como vou ensiná-lo a medir a intensidade disso? (pra essa parte aí eu até tive uma idéia, não sei se vai funcionar, mas vou tentar) Ele sabe que abraçar é bom, a gente vive se abraçando aqui em casa, ele sabe que isso é uma das demonstrações de carinho mais bacanas, como ele vai entender que alguém (alguém = as criança tudo! /o\ ) não está gostando disso, e o que era pra ser uma coisa boa está se tornando um problema na socialização dele?  Gente, como explica isso pra uma criatura de 2 anos?  HAAALP!

Como ele tem mais contato com crianças na escola, eu tô contando muito com a ajuda da professora pra resolver essa pendenga. Conversei com ela e pedi que ela o orientasse, mas sem proibí-lo de abraçar os amiguinhos, não quero que ele se sinta reprimido, muito menos em demonstrações de afeto, que afeto – cada vez mais raro – a gente tem mais é que estimular.

minhanossasinhodadascriançasogras, valei-me!

 

Manhê, o Tonico me bateu… *

Daí que o Francisco, ultimamente, não tem tido muita vontade de ir à escola. Eu achei que estava normal, porque me disseram que era assim mesmo: primeiro chorar, depois adaptar e depois chorar de novo até a adaptação final. Mas eu já estava achando que a segunda fase de choradeira estava durando demais e resolvi perguntar pra ele se as tias brigavam com ele, se batiam nele ou qualquer coisa desse tipo, e ele sempre disse que não. Até que ontem a minha mãe perguntou se algum coleguinha batia nele e a resposta foi: “João”. Matou a charada!

300x210

O João é o amiguinho de quem ele mais fala. Toda vez que pergunto com quem ele brincou, ele responde que foi com o João. Quando vou buscá-lo ele sempre me mostra o João. Eles correm juntos, se abraçam… se eu tivesse que adivinhar quem era o amigo que bate nele na escola, jamais acertaria. A mãe dele está grávida (será que isso pode explicar a agressividade do rapazinho?), e quem escolheu o nome do irmão foi o João. O nome escolhido foi Francisco. A mãe dele diz que ele só fala do Francisco, o tempo todo. Vai entender…

Bem, hoje eu fui perguntar pra professora, como é o relacionamento dos dois. Fiz o Francisco dizer pra ela quem batia nele, e ainda pedi pra ele apontar, pra gente ter certeza de quem ele estava falando. Ela me disse que eu não sou a primeira que vai reclamar do mesmo menino (mas, vejam bem, eu nem reclamei. Eu sei que isso é uma coisa relativamente normal na idade deles), que já chamaram os pais dele e que a escola está tentando domar a ferinha. Eu imagino que este não deva ser um processo fácil, então pedi à professora que fique mais atenta quando os dois estiverem próximos, pro Francisco não virar saco de pancada do pequeno rebelde e nem ficar com trauma da escola.

A vontade que dá (mas passa, ainda bem) é de dizer pro Francisco: bate nele também, moleque!, mas eu sei que esse, nem de longe, é o melhor jeito de fazer o João parar, muito pelo contrário. Daí eu tentei explicar pra ele que o João ainda não aprendeu que não pode bater, que ele ainda não sabe que isso é feio e errado, e que é pra ele chamar a professora quando acontecer de novo, que ela vai ajudar. E que é pra ele brincar, também, com os outros amiguinhos que não batem. Ai, que situação… /o\

E eu vou tentar monitorar daqui, perguntando pra ele se ele brincou muito e com quem, se alguém brigou com ele, se ele chorou, se a tia brigou. Não posso ignorar o fato como também não posso supervalorizar, porque crianças brigam, batem, mordem, choram. É normal pela impossibilidade de controlar, ainda, as emoções. Francisco mesmo, em casa, quando está puto da vida com alguma coisa, tenta bater na gente, arremessa as coisas, tem faniquito… Não dá pra exigir que uma criança de 2 anos racionalize seus sentimentos.  Se eu achar que está demais, que passou do ponto, vou lá outra vez, só que dessa vez pra reclamar, porque a escola e os pais do menino já estão cientes do problema.

No mais, meldels, como o tempo voa: ele nasceu ontem e já tá apanhando na escola? O_o

 

* Mas porque diabos eu escrevi Tonico no título se o nome do moleque é João? Clique aqui, se você não teve infância ou se não era criança nos anos 80. :P

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