A primeira grande frustração

Francisco mamando no peito, aos 13 dias de vida


Sempre ouvi dizer que toda e qualquer mulher é capaz de amamentar perfeitamente seu filho se assim desejar; mas descobri que isso não é bem verdade. Que não existe leite fraco, por exemplo, eu acredito piamente, mas que não existe leite insificiente, bem, eu sou a prova viva de que isso acontece, independente da nossa super vontade de amamentar.

Sempre quis amamenntar o Francisco. Não fazer isso jamais me passou pela cabeça e nunca poderia imaginar que eu não conseguiria.

A coisa começou mal antes mesmo do Francisco nascer. Eu sempre li e ouvi as futuras mamães falarem de como os seios cresceram, incharam, ficaram durões e cheios de leite antes mesmo dos seus bebês nascerem, mas isso nunca aconteceu comigo, porém não me preocupei demais porque sei que isso não é regra, que em algumas mulheres isso só acontece mesmo depois do parto.

Pois então, depois que o Francisco nasceu, logo depois, coloquei o bichinho no meu peito e lá ele ficou por mais ou menos umas duas horas... dormiu. E acordou esfomeado cinco minutos depois que tirei ele de lá. Repeti todo o procedimento várias vezes e a mesma coisa acontecia. Na primeira noite, com o coração partido, mandei o pobrezinho pro berçário, pra dormir lá e tomar leite industrializado. Isso aconteceu no dia seguinte, e no terceiro dia, na hora da alta a pediatra recomendou que continuássemos com o complemento alimentar depois de cada mamada.

Francisco sempre teve boa pegada. Machucou muito pouco meus seios, nunca pude reclamar de dor, mesmo ele passando horas a fio dependurado no meu peito, então não era esse o problema, mas depois de uma semana de nascido, na primeira consulta dele depois da alta foi desesperador ver que meu filho, que deveria ter ganhado algum peso, perdeu bastante coisa.

Me senti a mulher mais inútil do mundo. Eu só chorava. Como assim? Ele fica praticamente o dia todo no peito e mesmo assim perde peso?

A pediatra aumentou a dosagem do complemento e recomendou que ainda fosse dado depois das mamadas. Mesmo com a mamadeira, Francisco nunca rejeitou meu peito. Eu adorava amamantá-lo, era incrivelmente deliciosa a sensação de ter meu bebê se alimentando em mim, nada me fazia mais feliz, mas durou pouco... um mês, apenas.

A necessidade de complemento aumentava a cada dia, ele saía do meu peito com cada vez mais fome. Tentei tudo o que podia para conseguir produzir mais leite. De métodos comprovadamente eficazes até as simpatias mais malucas, mas ainda assim eu não fui capaz de alimentar meu filho a contento. Sem o complemento ele sentia fome, que aumentava muito à medida que ele ia crescendo, e o meu leite não conseguia acompanhar a demanda, mas mesmo assim eu insistia, dava o peito a ele ao menor sinal de fome, mas ele começou a ficar muito agoniado. Em dois minutos esvaziava os dois peitos, e depois ficava sugando coisa nenhuma... O olhar dele, para mim, durante a mamada, que antes era deliciosamente sereno, agora era tenso, quase desesperado.

Chorei muito, sofri muito, mas decidi parar de torturar meu filho. Eu não tinha leite, nunca tive, e ficava insistindo por uma vaidade besta, só pra me sentir bem. Um dia eu decidi testar e passar 24h dando só leite industrializado a ele. Queria ver como ele se comportava longe do meu peito, sem ter que passar pela provação de sugar o que praticamente não existia. Não foi surpresa nenhuma para mim ver que meu filho teve um dia muito mais tranquilo que os anteriores, que ele se sentia muito mais feliz em não ter que se esforçar tanto para coisa nenhuma. E foi duro demais para mim admitir o meu primeiro fracasso como mãe.

Mas o que mais dói de tudo é quando, por algumas vezes, sou tratada com um certo desdém quando digo que o Francisco está se alimentando com Nestogeno e não com leite materno. Sempre perguntam porque eu não o estou amamentando e quando eu explico simplesmente dizem na minha cara que eu estou mentindo, que isso não existe.

Aí eu fico pensando, no corpo da gente uma série de coisas é passível de falhas, de não funcionar como deveria, porque não a produção de leite? Porque nós, mães, temos que ser invencíveis, porque não podemos ter algum problema que já somos tratadas como as piores mães do mundo?
Eu não consegui amamentar meu filho, e sinto muito por isso, mas isso não quer dizer que eu não o ame muito, que eu não queira o melhor pra ele. Eu não seria boa mãe se deixasse "por conta da natureza" (como muitos sempre dizem) e ele não conseguisse se alimentar como deveria, como necessita. Eu não seria boa mãe se transformasse o momento de mamar numa luta pra ele.

E eu odeio ter que ficar dando explicações sobre isso a todo instante. Eu tentei até onde deu, eu sei disso e minha consciência tá muito, muito tranquila mesmo quanto a isso (embora ainda me sinta frustrada), mas perdi a paciência com os "fiscais" de plantão que não acreditam em mim quando eu digo que não amamento porque não produzi leite o suficiente pra isso; quando questionam, agora eu minto, digo que não amamento porque não quis e pronto... eles (os fiscais) , por incrível que pareça, aceitam o não querer com muito mais facilidade que o não poder.

Mas, Juliana, e o vínculo entre você e o Francisco? Aaaaaaah, vai muito bem, obrigada! Não é a falta de peito que vai fazer com que eu e meu filho não tenhamos um vínculo fortíssimo, né? E quem duvidar que venha ver de perto... Posso garantir que isso não afetou em absolutamente nada a nossa relação. Entre mim e ele vai tudo perfeitamente bem, obrigada! A gente se ama loucamente, e nem precisamos de peito pra isso!!!

4 comentários:

  1. Ai, Ju! Primeiro, sou super entusiasta das tuas criações bloguísticas.

    Segundo, as pessoas q apontam são as mesmas que gostam de barbarizar, afinal, não és mesmo a primeira mãe no mundo que tem problemas de alimentar o pequerrucho pq não pode, em vez de não querer.

    Quem sabe o qto anseavas pelo Francisco também sabe q jamais deixaria de amamentá-lo pq nao querer. Não seria mto a cara da Ju Freitas ser vaidosa por nao amamentar.

    Esperamos por mais boas novas aqui, e torcemos mto pela familia linda que está sendo completa pelo Francisco!

    Bjoo

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  2. O mundo tá cheio de gente que adora dar palpite na vida dos outros, vc sabe o melhor pro seu filho e se não produziu leite o suficiente não tem o pq ficar martelando na cabeça que vc é má mãe =)
    ps.: add ai rs o meu tb é um diário do Ale *-*

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  3. amiga, acontece, né? Eu não mamei no peito, e não tem quem eu ame mais que minha mãe...
    Eu acho que não é o fim do mundo, sinceramente, é triste, pq é uma experiência, né? mais saudável pra ele, mas ele não vai ter raiva de vc, e vc agora tá fazendo o melhor pra ele...=D

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  4. Raquel Cunha Oliveira9 de maio de 2010 23:17

    Oi amiga!! Vc fez o que pôde e eu te admiro muito por isso! Também as vezes dou complememtno pro meu filho e sei que não é regra mesmo essa história de TODA mulher produzir leite suficiente pro seu filho, não sei quem inventou isso, eu mesma passei por uma época em que meu leite diminuiu muito e eu tive que dar complemento em quase todas as mamadas. Vc não foi a primeira e nem será a última, e o vinculo entre vcs é e sempre vai ser tão forte quanto se tivesse amamentado, pra mim isso é besteira, tem mulheres que amamentam e nem sempre são tão boas mais assim como VC. Muita paz, alegrias e felicidades pra sua família linda e pra esse gatinho que cada dia que passa fica mais lindo!!

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